O público potencial de consumidores
de microsseguro no Brasil é 120 milhões de pessoas, segundo
o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras
(CNSEG), Joao Elisio Ferraz de Campos. O volume, informou,
é o número de brasileiros com renda de até três
salários-mínimos. Campos explicou que o microsseguro é
caracterizado não pelo baixo valor da apólice, mas pela
faixa de renda para quem se destina o produto. O governo
federal está desenvolvendo a regulamentação deste tipo de
seguro, que é novidade no Brasil, mas já é realidade em
países como Índia e China.
Para apressar a criação da
legislação específica, a CNSEG sugeriu ao governo a
inclusão de um tipo de microsseguro no programa Bolsa
Família. A ideia, afirmou Campos, é vender apólices,
subsidiadas pelo governo, de auxílio funeral. No caso de
morte do chefe de família, a apólice cobriria um funeral e
mais seis meses de cesta básica à família. O seguro seria
pago pelo governo em parceria com um pool de
seguradoras.
O potencial de alcance desse
produto, segundo Costa, é de 35 milhões de pessoas. "A
nossa ideia é o governo ou subsidiar a compra desse seguro
ou conceder incentivos fiscais às seguradoras que operam o
produto."
Campos explicou que com a melhora de
renda das classes C e D o mercado potencial para o
microsseguro aumenta muito. De acordo com ele, os ramos que
melhor se adaptariam às necessidade desse segmento são o
auxílio funeral, acidentes pessoais, seguro desemprego, o
garantia estendida (que estende a garantia de bens, como
eletroeletrônicos) e o prestanista (que garante o pagamento
de prestação em caso de o contratante não ter condições de
pagar). "O microsseguro não se caracteriza somente por uma
apólice de baixo valor. Até porque isso já existe no
mercado. O microsseguro se destina às pessoas de classe de
renda mais baixa." Campos disse que a CNSEG fará uma
experiência na comercialização do microseguro no Brasil. A
instituição firmou parceria com a Organização Internacional
do Trabalho (OIT), que destinou R$ 1 milhão para um teste
na comunidade Santa Marta, no Rio de Janeiro.
